sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Entrevista com um mito

 
Sérgio Pacheco, exemplo de pessoa e profissional
      
   No esporte não apenas os atletas fazem história e são importantes, os técnicos e árbitros também marcam gerações do esporte. Quem não se lembra de Dick Bavetta, o árbitro da NBA que mais apitou jogos na história da liga e se retirou após 39 anos de serviços. Pois bem, aqui em nosso país temos um árbitro que é uma personalidade do basquete, e que com certeza deve entrar para a história do esporte, estou falando de Sérgio Pacheco.
   Para quem não conhece, Pacheco é o árbitro mais conhecido de nosso país, já atua no esporte a um bom tempo e é excelente profissional, tive a oportunidade de lhe fazer uma entrevista pela internet e trago a vocês a nossa conversa. 
   Mais Basquete: Fale um pouco sobre a sua carreira.
   Sérgio Pacheco: Comecei a jogar basquete no Circulo Militar de Campinas, mais tarde me transferindo para o Tênis Clube de Campinas e depois Clube Campineiro de Regatas e Natação. Nessa época também comecei com as artes marciais, Karatê, Kung Fu, Boxe (Vice Campeão Paulista) e Tae Kwon Do, onde foi Campeão Brasileiro e Sul Americano. Aos dezesseis anos me transferiu para o Esporte Clube Palmeiras, vindo depois a jogar no Esporte Clube Pinheiros até a categoria adulta (profissional). Em 1988 cursei o Curso de arbitragem da Federação Paulista de Basketball e em 1996 me tornei árbitro Internacional de Basquete.
   Mais Basquete: Como entrasses no mundo do basquete e porque escolhesses ser árbitro?
   Sérgio Pacheco: Quando parei de jogar basquete, para não ficar longe das quadras e do meio, eu resolvi fazer um curso de arbitragem. Comecei como mesário, e de tanto me encherem... (kkkk), fui para quadra, mas jamais pensei que a minha vida profissional como árbitro, fosse ser muito melhor do que a de jogador.
   Mais Basquete:  Qual o jogo mais importante em que atuasses e qual que mais te marcou?
   Sérgio Pacheco: Não houve um jogo mais importante. Todos os jogos são importantes, depende muito do ponto de relação de importância que fazemos.
Lógico que apitar duas finais mundiais foi muito especial, mas também fazer um Vasco e Flamengo, final de primeiro turno carioca, vinte e duas mil pessoas no antigo Maracanãzinho foi muito importante, uma vez que ambos os times eram os dois melhores times do Brasil. O Vasco voltando de Mac Donald Open em Paris, onde acabará de jogar contra o Santo Antônio Suprs. O time inteiro era o ex-time de Franca com Chuí, Fernando Menutti, Demetrius, Vargas, Rogério, etc., no melhor das suas fases. Já o Flamengo com Oscar, recém-chegado da Itália, Cai, Rato, Robin Davis, Pipoca, etc., no melhor das suas carreiras. Pela primeira vez na televisão, a Emissora ESPN ia usar 18 câmaras em jogo de basquete... Mas Madison Square Garden, com quarenta e quatro mil pessoas, U.S.A. X Porto Rico, e nos Estados Unidos jogando com Irveson, Vicent Cart, Tim Duncan, Jason Kid, Elton Brand, etc., etc... Como a semifinal do Paulista, entre Franca e Barueri, Franca com aquele time de cima antes de irem pro Rio, e Barueri com Oscar e companhia, e o primeiro jogo da serie Barueri ganha dentro de franca, e Oscar fez mais de cinquenta pontos, a grande maioria no segundo tempo. Como pelo paulista Piracicaba X Ponte Preta, de um lado Magic Paula, e do outro a rainha Hortência... E outros desafios... difícil de dizer.
   Mais Basquete: Se souberes, quantos campeonatos apitasses e qual mais te marcou.
   Sérgio Pacheco: Convocado para um Torneio Amistoso em Sidney, Melbourne e Adelaide, com as Seleções femininas da Austrália, Rússia, Japão e Brasil. Foi ao seu primeiro Campeonato Mundial feminino Juvenil, em 1997 , Natal – Brasil. Viajou com a Seleção Feminina Adulta Brasileira, para uma fase de preparação em Portugal e Espanha em 1998. Convocado pela FIBA para o Campeonato Mundial Adulto Feminino em 1998, realizado nas cidades de Munster, Wuppertal, Karlsruhe, Rotenburg, Dessau, Bremen e Berlin –Alemanha. Convocado pela COPABA para o Centro Americano como Árbitro neutro, realizado em Maracaibo – Venezuela. Foi ao Pan Americano Inter Clube em General Pico – Argentina. Participou das fases do Sul Americano de Times em Mar Del Plata, Bolívia, Paraguai. Convocado pela COPABA para o Pan Americano de Seleções, em 1999, Winnipeg – Canadá. Foi à Copa América Sub – 21, (classificatório para o Mundial da categoria) Ribeirão Preto – Brasil. Convocado para a Copa América Adulta Masculina, (classificatória para o mundial da categoria) na Patagônia  –  Argentina. Participou do jogo Amistoso entre os times  dos astros OSCAR X MAGIC JHONSON. Foi a Copa 500 ANOS, realizada no Rio de  Janeiro,  com  as  Seleções  Adultas masculinas  da  Argentina,  Brasil, Portugal, Rússia, e Grécia. Convidado pela NBA para dar um Curso para a Seleção  Norte  Americana  Masculina  Adulta, como  preparação  para  os Jogos Pré Olímpicos. Apitou um amistoso  no MADISON SQUARE GARDEN entre as Seleções adultas do USA X PORTO RICO. Apitou a final do SUPER FOUR  em  Buenos  Aires,  em  que  participaram  as Seleções  Adultas Masculinas  da  Lituânia,  Argentina,  Porto  Rico  e  Brasil. Convocado  pela FIBA  para o Goodwill  Games  em Brisbane  –  Austrália. Convocado  para  o Sul Americano de Seleções Adultas Masculinas, classificatórias para o Pré Olímpico,  e  Pan  Americano  de  Seleções. Campeonato  realizado  em Montevideo – Uruguai. Arbitrou  a  pedido  do jogador  Oscar,  o  último  jogo  do  ídolo,  (jogo despedida),  realizado  em Brasília  entre  os  “AMIGOS  DO  JOGADOR”. Convocado  pela  FIBA  para  o Campeonato  Mundial  Sub  –  21,  Argentina, onde arbitrou a semi final entre Austrália X Lituânia. Convocado pela FIBA para  o  Campeonato  Mundial Inter Clubes  Adulto  Masculino,  Rússia. Convocado  pela  FIBA  para  o Campeonato  Mundial  feminino  Adulto  de Seleções em São Paulo, onde arbitrou a final entre as seleções da Austrália X  Rússia.  Convidado  pelo COB para  carregar  a  TOCHA  DOS  JOGOS  PANAMERICANOS na data de sete de Julho de 2007, quando a mesma passou pela  cidade  de  Campinas. Convidado  pela  PREFEITURA  MUNICIPAL  DE CAMPINAS, para participar no MURAL COMEMORATIVO DOS ESPORTISTAS CAMPINEIROS  QUE DEFENDERAM O  PAÍS,  como  história  da  cidade. Convocado  pela  FIBA  para  os  Jogos PAN-AMERICANOS  BRASILEIROS,  que foram realizados na cidade do Rio de Janeiro. Convocado pela FIBA para o MUNDIAL  DA  UNIVERSIADE,  em Agosto de  2007  em  Bangkok,  onde arbitrou  a  Final  masculina  entre  as seleções da  Lituânia  X  Rússia. Convocado pela FIBAAMERICA para o Centro Americano de Seleções, como árbitro neutro, no México em Cancun 2008. Convocado em 2009 pela FIBA para  o  MUNDIAL  UNIVERSITÁRIO  na  Sérvia, Belgrado,  onde  arbitrou  a semifinal USA X RUSSIA. Árbitro Revelação da Federação Paulista no ano de  1995.  Melhor  árbitro  da  federação  paulista em  2005  e  2010.  Melhor árbitro  da  Liga  Profissional  Brasileira  (Novo Basket  Brasil)  em  2009, 2010,2011, 2012 e 2014.
   Mais Basquete: Como é a relação com os atletas fora das quadras?
   Sérgio Pacheco: Não  existe  nenhuma  objeção.  Quadra  e  jogo,  fora dela somos  amigos, quando  viajamos  para  torneios  internacionais  em  que não apito  jogo  do Brasil,  jogamos  baralho,  comemos  juntos.  Tem  que saber separar,  e sempre fiz bem isso.
   Mais Basquete: A arbitragem do mundial foi criticada por comentaristas, como árbitro e especialista no assunto, o que achasses da arbitragem do 
mundial? E como avalias esse sistema de arbitragem em trio?
   Sérgio Pacheco: Acho  que  e  um  dos  esportes  mais  difíceis  de  serem arbitrados.  Quando você  tem  uma  competição  tão  pequena,  fica  muito difícil  padronizar tantos  árbitros  diferentes,  um  de  cada  região  do mundo,  muitos  novos, muitos com a mesma vontade de apitar, apitar, apitar, exatamente como eu  quando  comecei...  Como  já  estive  lá,  varias vezes,  sei  o  que  estou falando. Quanto  à  arbitragem em três juízes, isso só  melhorou o campo de visão e responsabilidade de cada um... basketball moderno.
   Mais Basquete: Como torcedor, como avalias o nosso desempenho? 
   Sérgio Pacheco: Bem melhor  do  que  nos  últimos  anos.  O  que  todo mundo  esquece  é  que fomos disputar um Campeonato Mundial, onde não existe mais ninguém bobo...  não  fomos  disputar  o  torneio  no  navio  de solteiros  contra separados...
   Mais Basquete:  Acreditas que a arbitragem em nosso país atua em alto nível?
   Sérgio Pacheco: Sem sombras de duvida, uma das melhores do mundo. Ainda temos sorte que  conseguimos  renovar  sem  paradas...  ou  seja, Gilson  Mini,  Lapoiam, Righetto,  Affini,  Zé  de  Oliveira,  Vinhaes,  Fontana, Piovesan,  Pelissari, Renatinho,  Pacheco,  Cristiano,  Benito,  as  mulheres, Tatiana,  Fatima, Andrea...
   Mais Basquete: Deixe um recado para nossos leitores.
   Sérgio Pacheco: Através do esporte e educação, temos a oportunidade de fazer do homem do  amanha,  formar  uma  personalidade  voltada  para  vida saudável, característica  do  homem  de  bem.  O  tempo  ocupado  com estudo  e atividades  físicas  tira  o  ócio  e  tempo  desprovido  de  boas atitudes, acabando operando na vida fácil e porta aberta para o descaminho.
A  sociedade  está  carente  de  atitudes  políticas  voltadas  para  esse lado, onde  as  escolas  integrais  no  estilo das  “American  high  scholl”, fazem  do ensino moderno, uma nova atitude de vida para os jovens. Foi na educação e no esporte, que eu me encontrei e consegui formar uma personalidade  com  pensamentos  distintos  e  coerentes  sempre pensando no bem, e na saúde
   Pessoas como Pacheco que marcam a história do esporte, esses devem ser aqueles exemplos a serem sempre lembrados para as novas gerações, pois é um exemplo de caráter, profissionalismo e humildade. Agradeço a oportunidade de te-lo entrevistado e conhecido mais sobre você, deixo aqui minha alegria como admirador e fã do seu trabalho.

domingo, 14 de setembro de 2014

Imbátiveis

Dominantes como sempre os americanos se tornaram pentas
   Como já era de se esperar, os Estados Unidos confirmam o favoritismo e levam o Mundial de Basquete. Com uma campanha impecável e invejável, os americanos mostraram por que são sempre os favoritos no basquete e dominaram todos os seus jogos.
   É penta, esse é o grito que os americanos podem entoar a partir de agora, os criadores do basquete conseguem faturar mais um mundial e se isolam como maiores vencedores. O jogo de hoje foi um embate entre a melhor equipe do basquete mundial e a equipe mais tática do torneio, no começo o jogo parecia tomar um rumo diferente para os americanos, mas como de costume ...
   Um começo nervoso e desorganizado dos americanos assustou, parecia que a Sérvia seria a seleção que poderia bater os Estados Unidos, abrindo oito pontos de vantagem e marcando muito bem. Porém, os norte-americanos reagiram e tiveram uma sequência monstruosa, e para mim, ganharam o jogo nesse período, terminando 35 a 21, com perfeição nos arremessos de três. O segundo período foi um passeio, serviu para aumentar a vantagem, com atuações monstruosas de Harden e Irving, mas quem mudou mesmo o rumo do jogo foi DeMarcus Cousins. Quando Davis saiu do jogo por duas faltas, Cousins o substituiu e foi perfeito defensivamente, dominando e protegendo o garrafão, e no ataque eficiente, incomodando os adversários e pontuando com eficiência, acertando praticamente todos os lances livres que bateu (desperdiçou apenas um).
   Depois disso o jogo virou festa, os americanos chegaram a abrir 40 pontos de diferença, rodaram muito os atletas e esse foi o único jogo em todo campeonato em que sofreram mais de 80 pontos. Para quem diz que os americanos não marcam, eles tiveram a melhor defesa do campeonato, o melhor ataque e se tornaram penta campeões, tricampeões mundiais seguidos e invictos. Irving foi o MVP do campeonato, anotando 26 pontos no jogo de hoje. O jogo terminou 129 a 92 para os americanos e mais uma vez me pergunto, quem pode parar essa seleção? Eles são invencíveis? Ainda não tenho respostas para essas perguntas, mas acredito que talvez possam perder um jogo, acreditei que o basquete da Sérvia poderia complicar por sua forte marcação, mas mesmo fazendo alterações de zona e individual, nada funcionou.
Campanha memorável
   Mais uma vez os criadores da bola laranja dominaram, levaram o torneio e foi muito merecido. Para a Sérvia fica o reconhecimento de seus compatriotas, os atletas serão recebidos pelo presidente e por 50000 espectadores para celebrar a campanha vitoriosa, mais que merecido. Para nós brasileiros nos resta lamentar, pois se vencêssemos a Sérvia provavelmente estaríamos nas finais, mas ainda assim parabenizo nossos compatriotas por terem nos representado bem, afinal perdemos apenas duas partidas. O mundial serviu para provar que ainda não estamos no primeiro escalão do basquete mundial, mas estamos muito bem, somos os melhores da América do Sul e vamos com força para os Jogos Olímpicos, vamos torcer agora na Copa América de 2015 e vir fortes para o Rio 2016.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Brasil, parabéns!

Como eu queria que esta postagem acontecesse no domingo. Não deu. Mas nem por isso me sinto como nos anos 2000... Me sinto como todos nos sentimos após os jogos do Grupo A e após o jogo com a Argentina. Vitorioso.

Começo afirmando que não vi o segundo tempo da partida, logo terá uma reprise e poderei ver onde a maionese desandou. Sim, esta é a analogia: a salada está ótima mas o calor atrapalha e a maionese fica ruim, com potencial de doença. Isto ocorreu em algum momento no segundo tempo, quando o time brasileiro voltou a ser brasileiro, sem autoestima, com medo... Digo isso e indico que estes jogadores, multicampeões em suas trajetórias, superem os preconceitos e façam terapias - perceberam que são vencedores acima de tudo. O resultado dessa ideia é sermos dominantes no Rio-2016 sem sermos prepotentes, como foi a Espanha frente a França no final da noite desse dia 10/9 em Madrid - foi o 11/9 do basquete espanhol, que tudo pode, que vai vencer os EUA e... Olha só, nem na final estará.

Meus conterrâneos, devem estar pensando que foi por um detalhe, um pequeno detalhe e não estão entre os quatro melhores do mundo, depois de anos de desentendimentos, de derrotas acachapantes e desorganização na Confederação Brasileira de Basketball (CBB), quase chegaram lá. É a mais pura verdade! Alguns devem estar pensando que encerraram o ciclo, que não jogarão mais uma Copa do Mundo de Basketball; novamente é a mais pura verdade. Mas entre idas e vindas, posicionamentos fortes e momentos de incertezas em relação a posição dos atletas, me parece justo afirmar que Nenê, Splitter, Varejão, Alex, Marquinhos e Leandrinho vão deixar a marca da revolução do basquete brasileiro ao abrirem as portas da NBA. Outros fortaleceram o vínculo com a Europa (TODOS os brasileiro dessa seleção jogam/jogaram em times europeus) e também abriram a porta para os novos. Alguns ainda jogarão no Rio-2016, mas só os novos estarão em 2019 e estes precisam ampliar suas experiências, jogarem na Europa, trabalharem duro na NBA e não abrirem mão da seleção.

Por este magnífico desempenho, nossa seleção merece os parabéns. Todos dispuseram-se a jogar, eu imagino que o contrato do Leandrinho na NBA foi realizado as pressas, perdendo uma oferta melhor, para poder ter o seguro pago e, portanto, poder treinar logo com o grupo. Temos um armador jovem para os próximos anos, pronto para substituir o Huertas quando necessário e há espaço para outros jovens.

Além disso, junto com os atletas, temos que parabenizar todo o staff por trás do grupo de atletas, da comissão técnica a direção da CBB. Fiz o gráfico abaixo para mostrar o que este grupo vem realizando nos últimos oito anos e acredito que a política esportiva do basquete está no caminho certo. O que temos hoje é melhor do que tínhamos oito anos atrás. Espero que continue assim e que consigamos disputar medalha no Rio-2016 e na próxima Copa do Mundo, em 2019. Resta a CBB, novo planejamento, ampliar as perspectivas para essas competições, fortalecer ainda mais a base. Mais trabalho duro. Mas não há sucesso sem trabalho duro, nem para quem possui talento e acredito apenas nisso.



terça-feira, 9 de setembro de 2014

O futuro

O futuro que se faz presente
   Vencemos nossos algozes, os temidos hermanos, melhor massacramos eles e uma jovem armador foi o destaque, e mostrou que seu futuro já é presente. Raulzinho foi o destaque da nossa vitória e é sobre ele que escrevo hoje.
   O jovem de 22 anos, Raul Togni Neto, mineiro que começou sua carreira no Minas Tênis e logo se destacou, atuou por quatro anos no Brasil e logo chamou a atenção por sua qualidade técnica, passes incríveis e sua inteligência tática. Em constante evolução foi contratado Gipuzkoa Basket da Espanha, onde foi ídolo da equipe e foi titular por quatro anos com boas médias de pontos e assistências, ainda mais para um garoto de pouco mais de 19 anos.
   Em 2013 alcançou o ponto máximo de sua carreira, quando se inscreveu para o Draft da NBA e foi escolhido pelo Atlanta Hawks e em seguida trocado para o Utah Jazz. Na época do Draft, Raulzinho optou por ficar mais uma temporada na Espanha e aprimorar seu jogo antes de vir para a NBA, agora vejo que sua escolha foi perfeita. Essa semana o presidente do Utah Jazz deu uma entrevista e falou que estava muito contente em ter escolhido Raulzinho, e disse que o futuro de sua franquia estava bem encaminhado. Se formos analisar, Raulzinho está bem cotado na NBA, afinal foi o primeiro armador brasileiro a ser selecionado e também foi draftado por uma franquia com tradição em armadores de qualidade, tanto que o maior passador de todos os tempos (John Stockton) jogou por lá.
   Raulzinho deixou de ser uma promessa e se tornou realidade, com 21 pontos no segundo tempo do jogo contra a Argentina provou pro mundo que está maduro o suficiente e devemos agradecer muito o Magnano que apostou em Raulzinho após uma Copa América terrível. Agora a pouco vi uma entrevista do jovem armador, ele disse que nem queria continuar no grupo pela competição anterior, mas o treinador não o abandonou e confiou nele, ainda bem. Agora é torcer para amanhã Raulzinho jogar bem e nos levar a semifinal do mundial, algo que não acontece a muito tempo.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Uma grande vitória: coletiva e pessoal!

Durante anos ficamos brigando para que estes jogadores da NBA e da Europa representassem a seleção. Creio que não acreditávamos no basquete que ocorria no Brasil e queríamos pessoas com rodagem. Eu e tantos outros blogueiros, também chamados de corneteiro quando, na verdade, o que queremos é a vitória e o que fazemos é ter coragem de divulgar nosso pensamento.

Isso ocorreu em relação ao Raulzinho, que considerei muito novo, com poucos recursos, mas que é um moleque focado, que treina e dedica-se demais na preparação de seu jogo e de seu corpo. Agora, a após vários técnicos reconhecerem a dedicação do jovem começa a dar frutos. Para mim, jogadores jovens precisam de experiência, intercâmbio e vivências múltiplas para estar na seleção - não acredito, por exemplo, que Rick Rubio fosse solucionar os problemas quando integrava o time da Espanha, mas sim recebia a contribuição para desenvolver seu jogo. E este mineiro, Raul Togni Neto, aproveitou TODAS as oportunidades, dedicou seu tempo ao aperfeiçoamento de jogadas e de seu arremesso. Também não deixou o bonde passar quando teve de partir para a Europa, para a NBA.

Neste Mundial, Raulzinho, mostrou confiança, dedicação ao grupo e fez 21 pontos contra a Argentina no dia 7/9 - isso será inesquecível no basquete brasileiro! Parece que na história do basquete ser um armador e cestinha é o de praxe. Não é esse Raulzinho que vejo conduzindo a seleção. Desde jogos anteriores até o último domingo, vi um Armador e quando vemos o jogo e o trabalho que ele liderava para que a bola chegasse em outros jogadores antes dele próprio decidir, caso fosse necessário, mostra a preparação para a função; mostra um armador de verdade que, em pouco mais de 24 minutos, marcou 21 pontos, deu duas assistências, não errou lances livres (2/2), não errou dos três pontos (1/1) e só errou uma bola dos arremessos de dois pontos (8/9). Um exemplo disso é que vi ataques que ele passava a bola, recebia de volta e já passava de novo, sem dar um quique sequer.



Reconheço, portanto, que minhas críticas do passado foram duras e que eu não enxergava o ambiente com todas as perspectivas. Sinto-me feliz em poder parabenizar um jovem que conquistou seu espaço e focou apenas em melhorar seu jogo, no amor que sente pelo basquete. Enfim, temos o armador para rio-2016.

Veja como a FIBA resumiu o desempenho do Raulzinho: Raul Neto - Amazing Performance.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Um domingo qualquer

Huertas o cadenciador da equipe
   Nesse domingo, assim como no filme de Al Pacino (Um domingo qualquer), vai ser uma história de superação e expectativas. O Brasil vai encarar a Argentina as 17 horas,lá na Espanha em Madrid, pelas oitavas de finais do mundial de basquete.
   Fugindo um pouco do meu foco, já que escrevo sobre a NBA, venho abrir mão e ser patriota, confessando de cara que não acreditava em nossa seleção e ainda bem que queimei a minha língua. Achei que nos classificaríamos no máximo em quarto e fui surpreendido com aquela vitória contra a Sérvia, e que bom, agora teremos pela frente nossos algoz, os hermanos.
   É bem verdade que temos dificuldades contra nosso vizinhos, mas também nesse mundial estamos bem melhor do que eles, a ponto de sermos favoritos (minha opinião) mesmo que nosso passado não seja favorável. Não vencemos os hermanos desde 2011, quando conseguimos a vaga nos Jogos Olímpicos lá casa deles. Depois disso só derrotas, tirando amistosos e torneios preparatórios, nos Jogos Olímpicos eles nos eliminaram e tem sido assim a um tempinho. 
Varejão uma das torres do nosso garrafão
   Analisando os jogos da nossa seleção, não tivemos muitos momentos de apagão defensivo como de costume, mas precisaremos jogar sem errar e pressionando os argentinos, assim como fizemos contra a França e a Sérvia depois do susto do terceiro período. Nossa equipe joga muito bem dentro do garrafão, sabe se posicionar e dominar o espaço tanto defendendo quanto atacando, nos falta mais ação dos nossos alas, que há exceção do Marquinhos e Leandrinho, não vem muito bem. Se conseguirmos impor o nosso ritmo e fizermos os hermanos girar no perímetro o jogo é nosso.
   Nos resta torcer e que esse dia da Independência nos torne independentes no basquete.
   

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Hegemonia

Faried dono do garrafão
   Com o jogo do dia 30 de agosto contra a Finlândia uma situação se evidenciou, a hegemonia dos
americanos no basquete é impressionante. Porque isso acontece?
   O basquetefoi criado pelos americanos e é o pais onde mais se pratica o esporte, o incentivo ao basquete é absurdo (mesmo sendo apenas o 3° esporte em preferência dos americanos) e isso pode explicar o porque de tanta disparidade. É bem verdade que a Finlândia não é base, apenas 29° do ranking mundial, mesmo contra os melhores (Espanha, Argentina...) os americanos são sempre favoritos e uma derrota é zebra. Suas partidas são sempre um espetáculo, cheia de jogadas plásticas e com muita qualidade, dominantes em todos os fundamentos, detalhe que essa seleção tem a média de 24 anos e sem seus maiores astros. 
   Como pará-los? Talvez seja impossível, se no mundial os garotos formam a seleção imagina completos, são uma máquina. Acontece com os americanos o mesmo que conosco em relação ao futebol, mesmo em uma fase ruim, somos considerados o país do futebol, mais vezes campeão mundial, primeiro tri campeão, primeiro tetra campeão e o único penta, constituindo uma hegemonia que já não é a mesma. São coisas inexplicáveis, mas o que faz a diferença é o investimento, enquanto nos Estados Unidos o basquete é bem acessorado, praticamente todos praticam, aqui no Brasil o esporte já foi o segundo esporte mais praticado, bi campeão mundial e atualmente tenta se reerguer.
Davis, pivô sensação da equipe
   Aqui o posto de esporte principal não sera do basquete jamais (ou qualquer outro), nossa cultura não permite, o futebol reina e talvez seja assim para sempre. Esse pode ser outro motivo pelo qual apenas um esporte se destaque, a questão do incentivo, os Estados Unidos é um país que apóia todo e qualquer esporte, por isso é uma potência mundial do esporte. Nós não valorizamos nem os esportes vencedores dos Jogos Olímpicos como a ginástica e o atletismo, quem dirá esportes que não trazem resultados.
   Espero que esse mundial possa quebrar a hegemonia americana, e tomara que nossos compatriotas possam entrar para a história como campeões mundiais.